De office-boy a diretor executivo de uma holding no mercado de franquias

Trabalhador desde os 14 anos de idade, Carlos Alexandre Gomes, agora aos 53, começou sua vida profissional como office-boy em uma importante construtora de sua cidade e habilitou-se corretor de seguros em 1991.
Desde muito cedo batalhou para alcançar seus objetivos e hoje administra a Seleta Negócios, responsável pela formatação e crescimento de grandes nomes de redes de franquias brasileiras como a San Martin Corretora de Seguros e o Banneg – Banco de Negócios, rede especializada em consórcios e financiamentos.
Seu DNA também está em marcas de sucesso como Maria Brasileira e outras tantas nas quais atuou como consultor comercial ou operacional.
Novidades estão no forno, como a rede voltada para prestação de serviços em assistência emergencial e pequenos reparos, em fase de formatação e que deve ser anunciada em breve.
Carlos conta que no início decidiu trabalhar com microfranquias com o intuito de alcançar investidores que não dispunham de muito capital, mas queriam investir em um negócio próprio.
“Esse público também deve ter a oportunidade de atuar nesse mercado, que tem se revelado, a cada dia, muito promissor.” – conta.
E os números comprovam. A quantidade de redes de microfranquias no país cresceu a olhos vistos e mesmo diante da pandemia ainda se mostra com força total.
Dados apontam ainda que o setor de franchising desde o final da década de 90 só faz crescer, aumentando anualmente em número de unidades franqueadas, postos de trabalho e faturamento.
De pai para filho
Apesar de ter cursado Direito por três anos, sua formação acadêmica se deu na Administração Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto. A graduação veio ao encontro com o futuro dos negócios.
Trabalhar com seguros foi quase que uma consequência na vida do empresário. “Meu pai, também Carlos Gomes, era funcionário de uma seguradora e cresceu muito dentro dela, até que decidiu abrir sua própria corretora de seguros em São José do Rio Preto. A corretora avançou e decidi me juntar a ele ainda muito jovem e acabei seguindo seus passos. Meu pai sempre se mostrou um grande modelo para mim e para os membros da sua equipe.” – contou o diretor sobre a escolha do primeiro segmento abraçado.
“Mais tarde, minha mãe, Darci, que tinha uma loja de roupas femininas confeccionadas por ela própria, expandiu seus negócios e se tornou uma fabricante e lojista de atacado. Com isso, meu pai passou para o meu nome metade da corretora e vendeu a outra metade para um amigo da família, mudando-se para São Paulo afim de ajudá-la na condução das lojas”, lembra Gomes.
Com o tempo a sociedade se desfez e Carlos então junto de Caroline Gouvêa, que mais tarde viria a ser sua esposa, constituiu a nova corretora que se tornaria a San Martin Franchising.
A San Martin veio a ser em pouco tempo a segunda maior rede de corretora de seguros do Brasil, presente em quase todos os estados brasileiros, com aproximadamente 300 unidades distribuídas por todo o território nacional. No mercado desde 1995, a empresa se transformou em rede de franquias só em 2014. Hoje mudou seu modelo para licenciamento dando mais liberdade de atuação a seus parceiros.
Dificuldade nos negócios
Claro que para alcançar todo esse sucesso, Carlos enfrentou alguns obstáculos. E o principal: sem perder a perseverança, já que atuava em um trabalho que lhe proporcionava muitos desafios e prazer.
“Sempre trabalhamos de forma exemplar, buscamos produtos diferenciados, tentamos criar grupos de pequenos corretores unidos e avançamos alguns passos no sentido de tornar o atendimento personalizado”, lembra o diretor.
No início dos anos 2000, Caroline ficou à frente da corretora enquanto Carlos prestava consultoria para uma grande rede de franquias e dirigia duas escolas de cursos profissionalizantes. “Foi uma época bastante exaustiva, porém tivemos pela primeira vez a ideia de franquear a San Martin. Sabíamos que a corretora nos mantinha e de longe era o melhor dos negócios que tínhamos. Formata-la como algo replicável e dividir o modus operandi com investidores diversificados, parecia algo factível e inteligente a fazer”, conta.
Mas os problemas encontrados pelo casal eram imensos, as regras do mercado segurador e os rigores legais inviabilizaram a ideia. “Depois de muito bater a cabeça e ouvir negativas, engavetamos o projeto e a San Martin continuou como uma corretora de seguros convencional”, explica Carlos.
Anos depois, já com o recém-chegado sócio Edinilson Lopes e outros parceiros, Carlos fundou a World Brasil Franquias, empresa de consultoria no ramo de franquias que atendeu várias marcas conhecidas no país e formatou e lançou a Maria Brasileira, rede de limpeza e cuidados que até hoje figura entre as de maior sucesso no setor.
Diante da experiência renovada, foi novamente buscar os caminhos para driblar os obstáculos que o fizeram desistir no passado. “Tira aqui, põe ali, viaja pra cá, comparece na Comissão de Ética da Classe, consulta a SUSEP, a legislação geral e pronto, elaboramos um formato perfeito e dentro do que define a legislação”, explica. Nascia a San Martin Franchising.
Mercado financeiro
No final de 2017, com Edinilson Lopes, formatou a rede Banneg – Banco de Negócios (franquia especializada em consórcios e financiamentos) que rapidamente cresceu e se tornou vanguardista no setor da intermediação de negócios financeiros. “O Banneg veio ocupar um vácuo que existia no mercado apesar de ter concorrentes bastante parecidos.  Negociamos a representação de diversos bancos e financeiras e pudemos agregar muita coisa boa para que os franqueados pudessem trabalhar. 
Enquanto para muitos, empreender no período em que o Brasil vive uma das suas piores crises político-econômicas e o mundo todo enfrenta a pandemia da COVID19, Carlos Alexandre não tem medo de se lançar novamente.
De olho em oportunidades
Encontrado o caminho das pedras pela sua história de vida, o empresário não quer parar por aí. Carlos, que prefere não revelar muitos detalhes, adianta que está apenas aguardando a decisão de um grande parceiro para então dar continuidade no andamento de seu novo projeto. Para isso, recorreu a um dos segmentos em franca expansão pelo país: prestação de serviços de assistência emergencial.
A rede que está em fase de formatação tem como público-alvo pessoas, habitações e empresas cuja atuação vai do tradicional reparo e pequenos ajustes elétricos, hidráulicos até serviços inovadores como o quebra-galhos e o mão-na-roda. Afinal, quem nunca precisou de alguém para fazer um reparo no chuveiro ou trocar uma torneira que está vazando?
“Como já fazíamos parte de uma corretora de seguros com investidores por todo o Brasil, resolvemos unir o útil ao agradável. Em todo contrato de seguro, está inserida uma cláusula acessória de assistência emergencial.  Com a produção desses franqueados e licenciados no mercado segurador, uma grande demanda é gerada diariamente, além da demanda natural oferecida por todo o universo segurador brasileiro.” – destaca.
Sobre lançar novidades, ele insiste: “Em momentos difíceis, apesar de calma e ponderação, temos que ser audaciosos.  Enquanto alguns fecham lojas e se recolhem, vamos para o front e ganhamos espaço que outros deixaram por medo ou retração”, afirma Gomes revelando ainda que em nenhum momento teve dúvidas sobre se era a hora certa para lançar novos negócios.
Segundo ele ainda, “Nos negócios, uma pessoa tem que estar pronta para crescer e diminuir, avançar e retrair, sossegar e reaparecer quantas vezes for necessário, mas sempre com muita altivez, honestidade e sensatez.”
Unindo forças
Após dividir, com sócios e parceiros, percalços e vitórias da vida empresarial, Carlos está agora sozinho na condução dos destinos da Seleta Negócios.
Quer restaurar sua ação como consultor de empresas na área de franquias, reforçar sua enorme expertise em vendas e ajudar outros empreendedores a ousar.
Com um olhar sempre inovador, deseja repetir para outros, o sucesso que amealhou para suas marcas próprias e outras para as quais contribuiu.
Entre clientes diretos e indiretos, as marcas em que atuou somadas já atenderam mais de 100 mil pessoas e empresas no Brasil, gerando empregos e iniciando investidores em ramos de negócios que jamais imaginaram atuar.
“Agradeço a cada funcionário e ex-funcionário, a cada franqueado e ex-franqueado, a cada sócio e parceiro de negócios com quem já negociei, pois todo esse relacionamento gerou em mim a enorme certeza de que tudo vale à pena”, garante.
Cenário vindouro
Esta gana por trabalho assusta um pouco seus filhos. Mas Carlos acredita que, no futuro, a empresa acabará chamando a atenção e no tempo certo eles a assumirão. “Mas prefiro testar-lhes as aptidões antes.  Sabem que devemos estar preparados para viver nas boas e más fases, pelas quais todo mundo passa e para as quais devemos nos manter alertas e preparados”, confessou o diretor que valoriza a opção dos filhos pela formação acadêmica.
O empresário ressalta ainda que não abre mão de estar com a família, principalmente aos finais de semana. “Almoço em casa na maioria dos dias, levo e busco meus três filhos em compromissos. Acho isso muito importante.  No trabalho mantenho o foco.  Mas com eles, sou pai. Sozinho, se tenho instantes de lazer, como caminhadas, passeios no campo, entre outros, levo comigo anotações para refletir sobre os negócios ou outras questões.  Faço muitos cursos on-line na busca por mais informações.  E ainda consigo me deleitar com documentários e palestras diárias sobre física (mecânica quântica), filosofia, política e espiritualidade”, revela.
De encontro com as palavras
Carlos é apaixonado pela leitura. Interesse esse que herdou do pai, que já foi vendedor de livros e agora festeja dois romances publicados, além de vários contos e poesias. Tanto que o empresário já escreveu um livro intitulado Saindo do Fundo do Poço, publicado pela editora Paulinas, que fez parte da Feira do Livro em Frankfurt, na Alemanha. Filho de mãe, professora de piano é apaixonado por música e admirador respeitoso de Fernando Pessoa.
Sucesso, uma consequência inevitável
“Quando a pessoa trabalha naquilo que gosta, o sucesso é só a consequência do esforço e dedicação”, enfatiza Carlos. Prova disso, é o sucesso que suas redes atingiram.
“Uma rede deve entregar aquilo que propõe. Mas deve ser clara com os investidores naquilo que é sua responsabilidade. Franquia não é garantia de êxito. Seu sucesso dependerá, sobretudo, dos esforços do próprio franqueado.” – alerta.
Muitos ganham dinheiro e multiplicam suas unidades, mas muitos também desistem no meio do caminho, conta Alexandre. Os riscos e possibilidades de uma marca precisam estar sempre estampados no material de apresentação.
Com a Seleta, o consultor se propõe a formatar empresas que forem firmemente testadas e apresentarem resultado positivo, demonstrando serem viáveis à replicação.
Como acréscimo, dar apoio e suporte aos que aderirem ao negócio, pelo menos nos primeiros instantes da operação e gerar o aprendizado contínuo no Mercado em que forem inseridos.
“O pós pandemia exige um novo comportamento e uma nova visão de mundo corporativo. O trabalho home é uma certeza, o uso da inteligência artificial e outras facilidades tecnológicas fundamental e portanto, muitas empresas consolidadas deverão repensar seus modelos. É aí que entramos.” – afirma Carlos.
Questionado se acredita ter se tornado um empresário de sucesso, Carlos é categórico: “Até o momento eu acertei e errei muito.  Mas todos os tropeços foram importantes para que eu estivesse na fase atual. E é essa que importa.  Para o futuro o que eu realmente espero é conseguir preparar os negócios para caminharem em uníssono com as expectativas de clientes e parceiros que vier a ter.  E isso está bem claro”, conclui.